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Asma na Infância

Médica Pediatra
 
A asma é a doença crónica mais prevalente em idade pediátrica. Apresenta uma elevada morbilidade, sendo responsável por cerca de metade dos internamentos em crianças e adolescentes, e um impacto considerável na qualidade de vida da criança e da família.


“O que é?”

É uma doença das vias aéreas inferiores, caraterizada por um processo inflamatório complexo que se associa a limitação variável do fluxo de ar durante a expiração. Esta inflamação provoca edema, secreção aumentada de muco, aumento da contratilidade e hiperreatividade das vias aéreas a determinados estímulos do meio ambiente (vírus respiratórios, pêlo de animal, ácaros do pó, pólens, sementes, poluição atmosférica, fumo, ar frio, cheiros intensos, fármacos…).


“Como se manifesta nas crianças?”

As crianças com asma apresentam uma história de sintomas respiratórios como tosse seca, pieira, falta de ar, aperto/ dor no peito, variáveis ao longo do tempo e em intensidade.

A apresentação clínica mais frequente é uma criança com tosse seca esporádica, sobretudo noturna ou matinal, e que perante exposição a determinado alergénio desenvolve agravamento dos seus sintomas com acessos de tosse seca persistente a que se podem associar pieira e falta de ar. Estes sintomas de “crises de asma” melhoram com medicamentos broncodilatadores.


“Qual é a causa?”

A asma é uma doença multifatorial que resulta da interação de fatores individuais da criança (fisiológicos: função pulmonar; biológicos: género, obesidade; genética: atopia, asma nos pais) e do meio ambiente (cidade, poluição, exposição precoce a alergénios…).

Já foram identificados vários genes relacionados com a suscetibilidade à asma, alguns dos quais considerados importantes para o desenvolvimento de asma na infância. Pensa-se que a contribuição da genética para o desenvolvimento da asma seja de 50 a 80%. Contudo é difícil predizer quais as crianças com pais asmáticos que vão desenvolver asma na infância. Exemplos disso são irmãos e até irmãos gémeos “falsos” em que um tem asma e o outro não, resultado de outros fatores da própria criança.


“O meu filho tem 2 anos e tem muitos episódios de pieira, será asma?”

O diagnóstico de asma baseia-se na apresentação clínica típica dos sintomas respiratórios referidos, associado à demonstração da limitação do fluxo de ar nas vias respiratórias durante a expiração, realizado através das provas de função respiratória (espirometria).

Em crianças com menos de 3-5 anos o diagnóstico é bastante difícil e é muitas vezes provisório. Este facto deve-se à ausência de métodos de avaliação objetivos (não conseguem realizar as provas de função respiratória), uma resposta subótima à medicação, uma evolução natural da doença com grande variação entre as crianças e a existência de múltiplas outras causas de sibilância, nomeadamente as infeções respiratórias víricas, tão frequentes nestas idades.


Assim, em crianças com menos de 5 anos são a favor de asma:

• Persistência de sintomas para além de 10 dias durante as infeções respiratórias;
• Três ou mais episódios de pieira por ano;
• Sintomas respiratórios variáveis ao longo do tempo e em intensidade, com episódios graves de falta de ar que melhoram espontaneamente ou com fármacos broncodilatadores;
• Agravamento noturno dos sintomas;
• Sintomas despoletados pelo mesmo fator desencadeante;
• Criança com história pessoal ou familiar de atopia (dermatite atópica, alergia a alimentos, rinite alérgica).


“As crianças com asma vão ter asma para sempre?”

A asma é uma doença multifatorial onde a genética e o ambiente desempenham importantes fatores na sua evolução natural, sendo por isso difícil predizer a evolução individual de uma criança com asma. Contudo, sabe-se que em até metade dos adultos com asma, os sintomas começaram na infância.

Genericamente, muitas das crianças com episódios de sibilância na primeira infância resolvem a sua patologia até à idade escolar. No entanto, as crianças com asma com início após a idade escolar ou na adolescência, as crianças atópicas ou com história pessoal ou familiar de asma tem maior probabilidade de desenvolver asma persistente.


“Como se previne o aparecimento da asma?”

Nenhuma intervenção é capaz de prevenir o desenvolvimento de asma ou modificar a história natural a longo prazo. Contudo, há alguns fatores que têm sido identificados como fatores protetores para o desenvolvimento de asma como a evicção do fumo de tabaco durante a gravidez e após o nascimento, o parto por via vaginal, o aleitamento materno prolongado e a menor utilização de antibióticos de largo espectro no primeiro ano de vida.

 


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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.