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Chupetas: usar ou não usar?

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As chupetas estão intrinsecamente associadas à imagem do bebé, mas serão elas realmente necessárias e benéficas?! A sua utilização apresenta vantagens, desvantagens e algumas questões de segurança que devem ser conhecidas e ponderadas pelos pais antes da sua aquisição e utilização pelos bebés.


Porque gostam os bebés de chupeta?

A chupeta promove a sucção, um reflexo primitivo do ser humano que se inicia ainda durante a gravidez. Durante a sucção há libertação de endorfinas que produzem um efeito modulador da dor, humor, ansiedade, provocando sensação de prazer e bem-estar ao bebé.


Que tipos de chupetas existem?

Existe no mercado uma enorme diversidade de chupetas, agrupadas de acordo com a idade do bebé, a forma da tetina e o material que a compõe. De acordo com o material:

- Chupetas de silicone: são mais higiénicas, mais duras e resistentes à sucção, mas também mais sensíveis aos efeitos das mordeduras dos dentes.

- Chupetas de borracha: mais moles, deformáveis e suscetíveis à degradação. Provocam menor deformidade no palato e dentes.


Quanto ao formato da tetina:

- Chupetas ortodônticas/anatómicas: com tetina semelhante ao mamilo, promovem uma postura da língua semelhante à usada durante a amamentação. Exigem menos variações de pressão na boca do bebé.

- Chupetas fisiológicas: de desenho simétrico e plano, promovem uma redução da pressão da língua contra o palato, com menor impacto no desenvolvimento dentário (as melhores são as em forma de gota). Permitem que o bebé tenha uma respiração nasal.

- Chupetas redondas/cereja: chupetas mais clássicas, com tetina esférica, não vedam a boca na totalidade, exercendo maior pressão na boca da criança.


Qual é a melhor chupeta?

Não existe uma chupeta ideal! Essa será a que melhor se adapta à boca do seu bebé e que ele preferir! Contudo, antes de comprar deverá ter em conta alguns aspetos:

- O material deve ser resistente e não tóxico (sem BPA).

- A chupeta deve ser uma peça única, sem conteúdo (líquido ou outros) e sem adereços (fitas, alfinetes…).

- Deve estar adaptada à idade e anatomia do bebé, com uma tetina que apoie o desenvolvimento natural do palato e dentes (ortodônticas ou fisiológicas).

- Por questões de segurança, o aro deverá ser maior que a boca da criança e ter orifícios de ventilação.


Quais são as vantagens da utilização de chupeta?

- Reduz o do risco de Síndrome de morte súbita do lactente.

- Acalma os bebés, através da libertação de endorfinas associadas à sucção.

- Confere um efeito “analgésico” durante a realização de procedimentos (vacinas, colheitas de sangue...).

- Ajuda a adquirir um padrão de autocontrolo de emoções e a reduzir ansiedade, funcionando como consolo para birras e cólicas e ajudando no ritual de adormecimento.

- Como objeto descartável, permite que seja dispensada quando os pais quiserem. Evitando a utilização da mama ou do dedo, mais difíceis de retirar.


Quais são as desvantagens ou maiores problemas da utilização de chupeta?

- Pode provocar confusão de “tetinas”. Alguns estudos demonstraram que está associada a menor duração da amamentação. Assim, não se recomenda oferecer chupeta ao bebé até a amamentação estar bem estabelecida (3-4 semanas).

- Está associada a alteração do padrão respiratório para uma respiração oral.

- Está associada a alterações anatómicas do desenvolvimento do palato e dos dentes (má oclusão dentária): mordida aberta ou cruzada, desalinhamento dos dentes.

- Aumenta o risco de infeções como candidíase oral (“sapinhos”) e otite média aguda.

- Alguns estudos demonstraram que se associa a atraso no desenvolvimento da linguagem.


Como diminuir os problemas relacionados com a utilização da chupeta?

- Não utilize a chupeta como primeira “linha de defesa”. Inicialmente procure acalmar o bebé através de outras medidas de conforto (embalo, voz, “aconchego”...) e se não resultarem, então coloque a chupeta.

- Sempre que o bebé rejeitar a chupeta, não force a sua utilização.

- Não coloque substâncias doces (açúcar, mel…) na chupeta.

- Mantenha as chupetas limpas! Até aos 6 meses estas deverão ser sempre esterilizadas, posteriormente poderão ser apenas lavadas.

- Não coloque na boca do adulto, de forma a não partilhar agentes infeciosos com o bebé.

- Diminua o tempo de utilização da chupeta, por exemplo, só para adormecer o bebé. Após adormecer, retire-a.

- Inicie o “desmame” da chupeta após o ano de idade, preferencialmente entre os 18M-2 anos.

- Substitua a chupeta a cada 2 meses ou antes se estiver gasta ou deformada.


 


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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.