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Erupção dentária e higiene oral

Doutora Marta Mesquita
 
Olá papás!

Apesar de nos dias que correm termos outras grandes preocupações, hoje venho abordar um tema que tão frequentemente atormenta os pais: o aparecimento dos primeiros dentinhos.

O processo de desenvolvimento dentário, ou odontogénese, da dentição decídua (“dentes de leite”) inicia-se ainda durante o período embrionário e fetal (na gravidez). Apesar de habitualmente os bebés quando nascem não evidenciarem qualquer dente, a maioria dos dentes já está presente no interior dos ossos maxilares. Assim, a erupção dentária consiste num processo fisiológico de migração do dente já formado desde o interior do osso maxilar até à cavidade bucal.


Quando surgem os primeiros dentinhos?

A erupção dos dentes decíduos ou dentição primária habitualmente inicia-se entre os 4 e os 10 meses de idade e completa-se próximo dos 30 meses. Em geral, o primeiro dente decíduo a erupcionar é o incisivo central inferior perto dos 6 meses de idade.
No total, a dentição primária é constituída por 20 dentes: 8 incisivos, 4 caninos e 8 molares.


Quais são os sintomas associados à erupção dentária?

O processo de migração dos dentes através dos tecidos até à gengiva pode causar algum desconforto nos dias que antecedem a erupção do dente. O bebé pode estar incomodado, apresentar irritabilidade, dificuldade em adormecer e diminuição do apetite.
Frequentemente, nesta fase os bebés babam-se mais, levam as mãos à boca e procuram morder os brinquedos ou a chupeta. O aumento da salivação pode provocar vermelhidão na face (á volta da boca e queixo) e pescoço.
Apesar de os sintomas associados à dentição serem variados, e por vezes perturbadores para o bebé e para os pais, nem todos devem ser logo atribuídos à erupção dentária! São exemplos disso a febre elevada ou persistente e a diarreia (mais frequentemente de causa infeciosa), que devem ser devidamente contextualizadas e não devem ser desvalorizadas e atribuídas à partida à erupção dentária. Nesse caso, a criança deverá ser observada pelo médico assistente.


O que fazer para aliviar o desconforto?

Como em qualquer caso de dor ou desconforto que o bebé demonstre, procure confortá-lo e tranquilizá-lo. A própria sucção pode aliviar o desconforto do bebé!
Há algumas medidas que poderá implementar para que o seu bebé fique mais confortável e para diminuir a inflamação da gengiva como através da massagem ou fricção e da aplicação de frio. Pode massajar utilizando dedeiras de borracha ou recorrendo a produtos como anéis de massagem ou mordedores, especialmente desenhados para a massagem gengival além de servirem de brinquedo. Garanta sempre que são produtos homologados!
Muito raramente será necessário recorrer à administração de medicamentos como analgésicos (paracetamol). Há ainda algumas soluções orais em forma de gel comercializadas que poderão ajudar na cicatrização da gengiva, mas não estão recomendadas por rotina.


Quando se deve iniciar a higiene oral?

A higiene oral ou lavagem da boca e dentes deve iniciar-se assim que ocorre a erupção do primeiro dente decíduo, de forma a enraizar precocemente na criança este hábito de higiene, evitando a formação de placa bacteriana e cáries dentárias.


Como devo lavar os dentinhos? Qual a pasta de dentes mais adequada?

A limpeza pode ser realizada recorrendo a uma compressa esterilizada húmida, uma dedeira de borracha ou utilizando uma pequena escova macia, utilizando uma pasta dentífrica com flúor na quantidade de 1000 a 1500 ppm. Há algumas pastas comercializadas como sendo “para bebés” que contém quantidade insuficiente de flúor e que não estão recomendadas, devendo por isso verificar o rótulo antes da sua aquisição.
A quantidade de pasta dentífrica a aplicar deve ser o equivalente ao tamanho da unha do dedo mínimo do bebé e a escovagem deve ser sempre realizada ou supervisionada por um adulto até a criança ter 6 anos!
 

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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.