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Espasmos do choro

Médica Pediatra
 
Os espasmos de choro são uma entidade clínica que ocorre em cerca de 5% das crianças com menos de 8 anos. São eventos assustadores para os pais e são responsáveis pela procura dos cuidados de saúde, quer em urgências quer em consultas médicas.


— O que são?

São episódios involuntários de crises de choro durante os quais a criança apresenta uma pausa respiratória (apneia) de alguns segundos, recuperando espontaneamente.

São classificados de acordo com a coloração da pele que a criança adquire durante os episódios em cianóticos (roxa/azul), pálidos (branca) ou mistos (características de ambos). Em 85% das crianças são espasmos do choro cianóticos.


— Como se manifestam?

Habitualmente o primeiro episódio surge entre os 6 e os 18 meses de idade, sendo mais frequente em crianças entre os 2 e os 3 anos, e desaparecendo até à idade escolar.

Perante um fator desencadeante (susto, dor, medo, frustração), a criança inicia uma crise de choro violento. Após a expiração, sustem momentaneamente a respiração, de forma involuntária, provocando alteração da cor da pele (roxo ou branco) e do tónus muscular (o corpo fica mole). Em casos extremos pode desencadear perda de consciência e convulsões. O episódio dura, geralmente, de alguns segundos a 1-2 minutos, resolvendo espontaneamente.


— Qual é a causa?

Pensa-se que os espasmos do choro estão relacionados com uma desregulação do sistema nervoso autónomo, verificando-se um aumento da resposta simpática nos episódios cianóticos e da parassimpática nos episódios pálidos.

Outros fatores que têm sido associados são a predisposição genética (20-35%), disautonomia familiar, anemia por deficiência de ferro e perturbações do comportamento.


— Como se faz o diagnóstico? Que exames são necessários a criança realizar?

Habitualmente o diagnóstico é realizado apenas com base numa história clínica típica e num exame médico normal da criança.

Perante uma história atípica, queixas muito exuberantes ou um exame da criança alterado, podem ser necessários exames complementares de diagnóstico para esclarecer a causa dos episódios.


— Como se deve agir perante um espasmo de choro?

São episódios assustadores e geradores de grande angústia e stress para quem assiste, mas o importante é manter a calma! A criança recupera bem, sem necessidade de ajuda, e regressa à sua atividade rapidamente.

Pode optar-se por levar a criança para um local sossegado durante alguns minutos e, sem lhe pegar, berrar ou brincar com ela, esperar que se acalme. Após o episódio não deve ser dada demasiada atenção à criança, evitando reforçar este tipo de comportamentos. Não se deve deixar de repreender e educar com medo do espasmo do choro!


— Tem tratamento?

Tratando-se de episódios benignos, sem complicações associadas (nomeadamente cerebrais ou do desenvolvimento) e que resolvem espontaneamente, não está indicado qualquer tipo de medicação para o seu tratamento ou prevenção.


— Como prevenir os episódios?

Os espasmos do choro, de um modo geral, ocorrem em crianças que respondem de forma exagerada a estímulos negativos. Ainda que involuntários, estes episódios podem ser uma forma de manipulação da criança! Se a sua benignidade não for reconhecida e compreendida por parte dos pais, pode desencadear perturbações do comportamento a longo prazo.

É importante haver consistência e uniformidade de ação para não reforçar este tipo de comportamentos: todos os cuidadores (pai, mãe, avós) devem aplicar as mesmas regras e agir de forma semelhante perante birras e comportamentos de contrariedade, sem ceder aos mesmos. Devem manter-se calmos e ser modelo de atuação para as crianças!

Os pais devem estar alerta para o reconhecimento precoce deste tipo de comportamento de oposição, procurando acalmar a criança, evitando que entre em stress e desenvolva este tipo de episódios.


— Quando se deve procurar o médico?

Em caso de dúvida no diagnóstico deve ser consultado o médico assistente.

As crianças que apresentam comportamento de oposição com sintomas de sofrimento psicológico associados como irritabilidade, tristeza, isolamento e agressividade também devem ser observadas.
 


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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.