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Idas à praia: exposição solar nas crianças

Doutora Marta Mesquita
 
Com o calor que já se vai fazendo sentir, a proximidade do Verão e do início da época balnear, começam as idas à praia em família e surgem algumas dúvidas relativamente à exposição solar nas crianças. Siga os conselhos abaixo e proteja os seus filhos!


Riscos e benefícios da exposição solar

A luz solar proporciona reconhecidos benefícios na saúde humana. Por um lado, a produção cutânea de vitamina D a partir da radiação ultravioleta (UV) desempenha uma importante papel anti-raquítico pela sua ação no metabolismo ósseo. Por outro lado, são inegáveis os efeitos ao nível do humor e bem-estar psicológico do ser humano, incluindo as crianças.

Contudo, a exposição solar em excesso e não devidamente protegida está associada a queimaduras solares, ao envelhecimento precoce da pele e ao cancro cutâneo. E esse risco inicia-se logo na infância!


A pele das crianças

As crianças em geral, sobretudo abaixo dos 2 anos de idade e as de fotótipo baixo (pele clara, olhos claros, sardas/sinais, cabelo loiro/ruivo), pertencem a um grupo de maior risco face à exposição solar o que se deve às características anatómicas e fisiológicas da sua pele.

A pele da criança embora estruturalmente seja semelhante à do adulto, é formada por uma epiderme mais fina e com menos melanina, sendo por isso mais vulnerável a agressões externas como a radiação solar. Assim, a criança apresenta maior risco de queimadura solar e de efeitos tardios nocivos na pele decorrentes da exposição solar. Neste sentido, não está recomendada a exposição solar direta e por longos períodos em crianças pequenas, sobretudo abaixo de 1 ano de idade.


A partir de que idade podem ir à praia?

Preferencialmente, após os 12 meses de idade. Contudo, não significa que um bebé entre os 6-12 meses seguindo os cuidados recomendados e por curto período não o possa fazer.


Medidas de fotoproteção

A proteção solar vai muito além da utilização de cosméticos fotoprotetores, os chamados “protetores solares”. A forma mais eficaz de proteger a pele das crianças é através de medidas de proteção física que incluem a utilização de vestuário, chapéu de abas largas e óculos de sol.


1. Vestuário

De forma a evitar a exposição solar direta na praia, a criança deve estar vestida com maior cobertura possível da superfície corporal. Opte por roupas leves, frescas e de cor mais escura. Os tecidos que melhor protegem são os mais porosos como o algodão ou mistura de algodão com poliéster. Embora as cores mais escuras se tornem mais quentes, são mais eficazes em bloquear a passagem da radiação UV. Contudo, qualquer tecido molhado reduz a sua capacidade de proteção solar.

Existem no mercado alguns fatos e t-shirts com material refletor de radiação ultravioleta, no entanto nem todos são certificados pela norma europeia EN 13758. Na dúvida, mantenha os mesmos cuidados e aplique o protetor solar mesmo na pele coberta pelo vestuário.


2. Óculos de Sol

Recomenda-se a utilização de óculos de sol com capacidade de filtração de raios UVA e UVB nas crianças, logo desde os primeiros meses de vida e assim que toleráveis e seguros. A maioria dos óculos comercializados para crianças não têm esta capacidade e são prejudiciais, tornando-as mais suscetíveis a queimaduras na retina. Verifique-o antes de os adquirir!


3. Protetores solares

Existem dois tipos de fotoprotetores: os minerais e os orgânicos.

Os filtros inorgânicos/ físicos /minerais atuam por reflexão da radiação, sendo menos absorvidos pela pele e por isso melhor tolerados nas crianças, em casos de alergia ou fotossensibilidade. Estão recomendados em crianças com idade entre os 6 meses e os 2-3 anos ou em casos de pele sensível/atópica. Pela sua galénica são mais opacos e difíceis de espalhar, o que os torna menos atrativos em termos estéticos.

Os filtros orgânicos (antes chamados filtros químicos), atuam através da absorção da radiação solar. Assim, em função do tipo de radiação que protegem classificam-se como anti-UVB e anti-UVA. Podem ser usados em crianças acima dos 2-3 anos de idade.

Deve optar por comprar um fotoprotetor com fator de proteção solar (FPS) alto/muito alto, preferencialmente FPS 50+, mas deve ser sempre superior a FPS 30 em qualquer criança.


4. Tendas/iglus

As tendas ou iglus são amplamente comercializadas como sendo uma alternativa ou complemento à proteção física para as crianças durante o período em que estão na praia. Algumas são publicitadas como tendo proteção UV e FPS elevado. Contudo, estão desaconselhadas tendo em conta o potencial efeito de estufa que provocam, aumentando o risco de desidratação das crianças, sobretudo bebés.


Conselhos gerais para ida à praia com as crianças

• Evite ir à praia/ exposição solar no período das 11-17h;
• As crianças com menos de 6 meses não devem ir à praia;
• Aplique o protetor solar FPS 50+ com proteção UVA e UVB em toda a superfície corporal (mesmo na não exposta) 20-30 minutos antes da exposição solar;
• Durante o período que está na praia, a criança deve estar à sombra. Evite que a pele da criança esteja exposta diretamente ao sol usando roupas leves, chapéu de abas largas e óculos de sol;
• Renove a aplicação de fotoprotetor a cada 2 horas ou antes se a criança tomar banho;
• Reforce a hidratação da criança, oferecendo líquidos (água e/ou leite) e frutas sumarentas;
• O banho deve ser rápido! Após o banho, as crianças devem ser logo enxutas e trocar de roupa;
• Esteja atento à criança pelo risco aumentado de acidentes (queimadura, aspiração de corpos estranho, afogamentos, feridas ...);
• A praia pode ser relaxante para alguns bebés, mas para outros ser um fator bastante desestabilizador, sobretudo em crianças pequenas. Esteja atento ao seu comportamento, este deverá ditar quando está na hora de regressar a casa.
 


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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.