Mulher grávida
Direitos das Mulheres Grávidas
March 6, 2020
Bebé a dormir
A importância do sono no bebé
March 13, 2020

Infeção pelo Novo Coronavírus (COVID-19)

Doutora Marta Mesquita
 
Olá papás!

Hoje venho falar do tema do momento, o coronavírus! Há muitas dúvidas, informação e contrainformação e por isso o objetivo é procurar responder às questões mais frequentes acerca da doença na criança, de forma a que se encontrem melhor informados, menos alarmados e saberem como agir.


Em dezembro de 2019, foi descoberto na China um novo vírus da família coronoviridae, o SARS-CoV-2, responsável por uma doença intitulada COVID-19 que se apresenta de forma semelhante a uma gripe comum podendo, contudo, provocar doença mais grave como pneumonia com insuficiência respiratória.


Como se transmite o vírus?

O vírus é transmitido pelo contato direto com gotículas respiratórias de uma pessoa infetada geradas através da tosse, espirros e pelo contacto das mãos com superfícies contaminadas com o vírus (e posterior contacto das mãos nos olhos, boca ou nariz).


Pode-se transmitir durante a gravidez?

Ainda não se sabe se uma mulher grávida com COVID-19 pode transmitir o vírus ao feto ou ao recém-nascido por transmissão vertical (antes, durante ou após o parto). No entanto, nos poucos estudos publicados acerca deste tema, que incluem grávidas infetadas no terceiro trimestre, não há relatos de transmissão para o feto/recém-nascido. Além disso, o vírus não foi detetado em amostras de líquido amniótico, de sangue do cordão umbilical, ou no leite materno.


Que sintomas pode provocar?

Após o contacto com uma pessoa infetada, o vírus tem período de incubação médio de 5 dias (2-14 dias). Posteriormente, as crianças podem permanecer assintomáticas ou apresentar sintomas respiratórios, habitualmente ligeiros, indistinguíveis de outras doenças víricas, como obstrução nasal, rinorreia (“ranho”) e tosse. Outros sintomas frequentes são a diarreia e as dores de cabeça. A febre é menos frequente do que no adulto (menos de metade das crianças).


A doença é mais grave nas crianças?

A maioria dos casos confirmados de COVID-19 relatados ocorreu em adultos, sendo a incidência da doença na criança de apenas 2,4%. A gravidade, morbilidade e a mortalidade da doença parecem ser menores na criança: a maioria das crianças e adolescentes infetados com COVID-19 apresentou doença ligeira (semelhante a gripe), menor taxa de complicações associadas à doença e não há mortes relatadas em idade pediátrica. Tal pode resultar do facto de na criança serem menos frequentes as doenças crónicas, serem no geral mais saudáveis, e possuírem um sistema imunitário inato mais ativo que no adulto e, por isso, mais eficaz na defesa do organismo contra este novo vírus.


Qual é o tratamento?

Tal como a maioria das infeções provocadas por vírus não há um tratamento específico. O tratamento é apenas dirigido aos sinais e sintomas apresentados.

 

Como posso prevenir a infeção?

São várias as atitudes diárias que devem ser implementadas pelas crianças e suas famílias de forma a impedir a propagação de vírus respiratórios, como o novo coronavírus:

• Lave frequentemente as mãos com água e sabão ou, em alternativa, com álcool ou soluções desinfetantes à base de álcool.
• Reforce a lavagem das mãos sempre antes da preparação de alimentos (e refeição), uso de casas de banho, após assoar ou espirrar, e sempre que as mãos se encontrem sujas.
• Procure tossir ou espirrar para o braço e não para as mãos.
• Evite o contacto direto das mãos na face (sobretudo quando sujas ou contaminadas com secreções respiratórias), utilizando sempre lenços de papel para assoar ou limpar, deitando-os de seguida ao lixo.
• Limpe e desinfete os objetos e superfícies usados frequentemente.
• Evite locais com grande concentração de pessoas.
• Evite contacto com pessoas doentes.
• Se estiver doente fique em casa.
 

Eu e o meu filho devemos andar sempre de máscara para nos protegermos?

O uso de máscaras só está recomendado para pessoas que apresentem febre ou sintomas respiratórios (rinorreia, tosse ou espirros), de forma a proteger a transmissão da doença a outras pessoas. Assim, crianças ou adultos sem sintomas não têm necessidade de usar uma máscara!
O uso de uma máscara isoladamente não é suficiente para interromper as infeções e deve ser combinado com a lavagem frequente das mãos e outras medidas de prevenção da doença!

 
 

O que devo fazer se eu ou o meu filho tivermos sintomas?

Perante uma criança com sintomas de infeção respiratória que viajou nos últimos 14 dias de um local de alto risco ou teve contacto com caso confirmado ou suspeito de infeção COVID-19 deve contactar a Linha SNS 24 (808 24 24 24). Só se deve dirigir ao Serviço de Urgência ou Centro de Saúde após indicação telefónica para tal.
Posteriormente, sendo o caso validado como suspeito, será encaminhado para um hospital de referência onde serão realizadas colheitas de secreções respiratórias e analisadas quanto à presença do vírus (por PCR em tempo real).


Viajo com frequência em trabalho ao estrangeiro, o que devo fazer para proteger os meus filhos?

Após regressar do estrangeiro se desenvolver sintomas respiratórios, ou em caso de dúvida, contacte a Linha SNS 24 (808 24 24 24) e siga as instruções fornecidas. Mantenha as medidas de prevenção de transmissão de infeção respiratória.


Posso programar férias no estrangeiro este ano?

Atualmente não está recomendada a restrição de viagens por parte da Organização Mundial de Saúde, com exceção da região da Lombardia em Itália que se encontra sob medida nacional de quarentena com restrição de circulação de passageiros de e para a região.
No futuro não sabemos como o vírus se vai comportar! Esta será uma decisão pessoal. Informe-se bem e tenha em conta o tipo de pessoas a viajar e com quem contactam (pessoas com doenças crónicas), qual o destino, qual o acesso a cuidados de saúde, o que contempla o seu seguro de saúde e o pacote de viagens (agência, companhias aéreas…) quanto a possíveis alterações.

 
Para mais informações, consulte a Direção Geral da Saúde.
 
 
 
 

Conheça os outros temas abordados pela Dra BabyLoop!

Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.