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Recorrência aos Serviços de Saúde em tempos de pandemia

Médica Pediatra
 
Em tempos de pandemia e da consequente ordem de confinamento tem-se verificado menor adesão e frequência dos Serviços de Saúde a nível nacional e internacional, tanto por adultos como por crianças. Tal verifica-se tanto nas Consultas de Vigilância, nomeadamente de Saúde Infantil, no cumprimento do Programa Nacional de Vacinação (PNV), como também na utilização dos Serviços de Urgência.


Vacinas

Perante tal gravidade, escrevo-vos hoje para alertar, e seguindo as Normas de Orientação Clínica da Direção-Geral da Saúde, que é prioritário o cumprimento do calendário vacinal do PNV sobretudo durante o primeiro ano de vida.
Apenas a realização destas vacinas protege os vossos filhos de outras doenças gravíssimas e potencialmente mortais como o tétano, o sarampo, a meningite e a sépsis, entre outras. Para além destas vacinas, se investiu em vacinas extra-PNV como as vacinas anti-meningocócicas B ou conjugada, aconselho a não adiar a administração de doses ou mesmo o reforço, uma vez que podem significar perda de anticorpos contra essas bactérias e menor capacidade de resposta do sistema imunitário do seu filho em caso de exposição às mesmas. Estas bactérias continuam a circular apesar da COVID-19 e apesar de estar em casa, continuam a infetar as crianças, a provocar doença grave e mesmo a matar.


Consultas de Vigilância de Saúde Infantil

Da mesma forma, é igualmente prioritária a realização das Consultas de Vigilância de Saúde Infantil no primeiro ano de vida, de forma a manter o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento dos lactentes e a atempada referenciação em caso de desvio ou sinal de alarme, bem como a realização dos cuidados antecipatórios.

 
Neste sentido, sugiro que contacte telefonicamente a sua Unidade de Saúde de forma a agendar simultaneamente a Consulta de Vigilância e a administração da vacina, evitando múltiplas saídas do domicílio e idas aos Serviços de Saúde, bem como o adiamento das mesmas.


Serviço de Urgência

A nível nacional e internacional têm-se verificado um aumento de casos de doença grave e de mortalidade em crianças em consequência da hesitação dos pais e da recorrência tardia ao Serviço de Urgência, condicionados pelo medo da infeção pelo coronavírus.


Quais os motivos e sinais de alarme que devem sempre fazer recorrer ao Serviço de Urgência:

• Alteração do comportamento habitual da criança com sonolência excessiva ou incapacidade em adormecer;
• “Criança que não está bem” ou apresenta face/olhar de sofrimento;
• Irritabilidade e/ou gemido mantidos;
• Choro inconsolável (mesmo com o colo);
• Dor intensa perturbadora, de qualquer localização, que não melhora com analgésico (paracetamol ou ibuprofeno);
• Convulsão;
• Respiração rápida e ofegante com cansaço;
• Vómitos repetidos;
• Recusa alimentar ou sede insaciável;
• Febre elevada (temperatura axilar > 39ºC) ou que se associa a lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida da temperatura (mesmo que seja o primeiro dia de febre);
• Aparecimento de manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre;
• Febre com duração superior a 5 dias;
• Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha;
• Queixas ao urinar ou na presença de urina turva e/ou com mau cheiro;
• Dores de cabeça intensas que despertam durante a noite ou que se associam a vómitos.


Na dúvida, não hesite! Recorra ao Serviço de Urgência!

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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.