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Varicela: transmissão, sintomas e tratamento

Médica Pediatra
 
A varicela é uma das doenças infeciosas mais frequentes na infância, sendo provocada vírus Varicela-Zoster. Apesar da sua benignidade na maioria das crianças saudáveis, pode estar associada a algumas complicações.


Como se transmite?

É uma doença altamente contagiosa, ocorrendo frequentemente em surtos quer em ambiente familiar como escolar, com maior incidência no inverno e primavera. A transmissão ocorre através do contacto direto com secreções respiratórias (tosse ou espirros), saliva ou com o líquido das lesões da pele. O risco de transmissão inicia-se 1 a 2 dias antes do aparecimento das lesões cutâneas e termina apenas quando as lesões estão em crosta (4 -7 dias). Após o contato com a pessoa infetada, pode levar entre 10 a 21 dias até ao aparecimento da doença (período de incubação).


Quais são os sinais e sintomas?

Na maioria das crianças a varicela apresenta-se com lesões cutâneas que se iniciam sob a forma de “manchas” vermelhas na pele, acompanhadas de comichão. Posteriormente surgem vários tipos de lesões ao mesmo tempo (mancha, “borbulha”, vesícula (borbulha com líquido), bolha, crosta), no couro cabeludo e tronco e que se espalham ao resto do corpo, podendo atingir também as mucosas (boca, genitais, ânus).
Pode ainda acompanhar-se de febre, cansaço, dor de cabeça e perda de apetite.
Há alguns casos de doença mais ligeira ou até subclínica (com poucas manifestações clínicas).


Pode dar complicações?

Na maior parte das crianças a varicela é benigna, autolimitada e decorre sem complicações. Contudo os recém-nascidos, adolescentes, crianças com doença crónica ou imunodeprimidas apresentam maior risco de complicações. Estas podem surgir na fase aguda da doença, na fase de convalescença ou até semanas a meses após a infeção e incluem as infeções bacterianas da pele e tecidos moles, pneumonia, patologia vascular e patologia neurológica como a meningoencefalite.


Quais são os sinais de alarme?

Há alguns sinais que devem motivar a observação médica das crianças no contexto da varicela:
- Sinais de sobreinfeção de lesão cutânea: pele muito vermelha, quente ao toque ou com pús;
- Febre elevada, febre prolongada ou febre que reaparece;
- Dor de cabeça intensa, sonolência excessiva, prostração ou sensibilidade à luz;
- Desorientação, desequilíbrio ou outras alterações da marcha, discurso incoerente;
- Dificuldade respiratória;
- Recusa importante na alimentação/hidratação.


Qual é o tratamento?

Apesar de haver tratamento antivírico dirigido (aciclovir), este não está recomendado por rotina em crianças saudáveis uma vez que apesar de poder diminuir a duração e intensidade dos sintomas, não tem efeito na eliminação do vírus. Está indicado apenas em crianças com maior risco de doença grave e/ou complicações (crianças com menos de 1 ano, adolescentes, em casos de doença exuberante, doença crónica pulmonar ou dermatológica subjacente, tratamento prolongado com corticosteroides e crianças imunodeprimidas) ou quando se trata de um segundo caso no mesmo agregado familiar ou numa instituição. Para ser eficaz deverá ser iniciado nas primeiras 24 horas de doença.

Na maioria dos casos, o tratamento da varicela assenta no alívio dos sintomas e incluiu:
- paracetamol para alívio da dor, desconforto geral e febre. Está contraindicada a toma de ibuprofeno e aspirina nestas crianças pelo risco de complicações;
- anti-histamínico para alívio da comichão intensa.

Outros cuidados gerais a ter:
- repouso;
- banho rápido em água tépida;
- cortar bem as unhas;
- utilização de roupa leve e de algodão que cubra a maior parte do corpo, para evitar que a criança coce as lesões;
- dieta mole e fria sempre que lesões na boca.


As crianças com varicela podem ir à escola?

Por lei está recomendada a evicção escolar a todas as crianças com varicela durante um período de 5-7 dias ou até todas as lesões se encontrarem em fase de crosta. Contudo, é preferível o contágio de crianças saudáveis durante a infância uma vez que a doença é mais ligeira, ficarão protegidos para o futuro, não correndo o risco de contrair a doença na adolescência, idade adulta ou gravidez, altura em que existe maior risco de complicações e estas são mais graves.


Devo fazer a vacina da varicela ao meu filho?

Embora a vacina contra a varicela seja recomendada em muitos países, em Portugal não integra o Plano Nacional de Vacinação. A vacina está disponível no mercado, mas não está recomendada por rotina, apenas a título individual em adolescentes sem evidência de infeção ou adultos suscetíveis (indivíduos não imunes em ocupações de alto risco – trabalhadores de saúde, professores, trabalhadores de creches e infantários; mulheres não imunes antes da gravidez; pais de criança jovem, não imunizados; adultos ou crianças que contactam com doentes imunodeprimidos).
 


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Marta Mesquita

A Doutora Marta Mesquita é formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, sendo especializada em Pediatria Médica. Atualmente, exerce funções no Centro Hospitalar do Baixo Vouga.